Título: Minha razão de viver - Autobiografia
Autor: Samuel Wainer
Editora: Edição Amazon Kindle
Páginas: 366
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
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Acabo de ler "Minha razão de viver", a autobiografia do jornalista Samuel Wainer e, fico absolutamente sem palavras.
Digo isso por várias razões.
Entre elas, a sensação de que preciso urgentemente reaprender história política do Brasil, seus desmandos, e de como a mídia golpista já estava atuante em nosso país há mais tempo do que imaginei.
Samuel Wainer, filho de judeus descentes da Bessarábia, uma região hoje pertencente à Rússia, começou sua vida no Bom Retiro, bairro da capital paulista. Desde bem pequeno entranhou-se no mundo da imprensa de tal forma e profundidade, que seu grande sonho de ter um jornal se realizou quando, na década de 1950 ele inaugurou o "Última Hora", jornal abertamente pró-getulista.
Foi no ambiente político do retorno de Getúlio ao poder, em 1950, que Wainer deu voz favorável ao líder populista (ao contrário dos grandes jornais dos barões da imprensa), e abarcou ainda os governos de Café Filho, JK e Jango, quando, já no período do Golpe de 64, viu o jornal que com tanta amor e dedicação construiu, morrer.
As páginas dessa pequena grande autobiografia são reveladoras.
Elas delineiam os meandros da política no Catete (e posteriormente em Brasília), às íntimas ligações do governo a banqueiros e empresários, vínculos muitas vezes construídos à base de muito dinheiro e compra de influência, mas principalmente Wainer nos mostra como a mídia pode empenhar-se -- de forma totalmente nefasta -- a destruir qualquer óbice a seus intentos. Essa postura pode ser sintetizada na figura nada agradável de Carlos Lacerda, que movido por intenções eivadas de um absurdo ódio hidrófobo, planejou e levou a cabo a manipulação da opinião pública contra seu inimigo circunstancial, no caso Wainer.
Passear nas páginas de Wainer é refazer alguns caminhos da história que nem sempre são expostos e ensinados nas salas de aula. Mas a aventura se torna ainda mais excitante porque são páginas embargadas de uma sinceridade incomum, mas nem menos comovente.
Wainer merece ser lido, porque este brasileiro -- sim, o vejo como um dos maiores brasileiros -- conta a história do Brasil.