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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Livro 2°/Mar// 11°/2016 - O TEMPO E O VENTO 3 - O ARQUIPÉLAGO 3



Título: O Tempo e O Vento 3 - O Arquipélago vol. 3
Autor: Erico Veríssimo 
Editora: Cia das Letras
Páginas: 488
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ 


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  • Acabo de concluir a leitura da terceira e última parte de O Arquipélago e final da saga O Tempo e O Vento, encerrando este maravilhoso projeto de leitura que me consumiu exatos 70 dias, iniciados em 2 de janeiro e terminado em 11 de março de 2016.


  • E que belo final Erico deu ao final desta história... Neste derradeiro volume, os costumeiros diálogos de discussão política continuam a se arraigar no Sobrado, tendo a figura de Getúlio Vargas e seu Estado Novo como centros de controvérsias e acalorados debates. Entremeiam-se as correntes políticas da primeira metade do século XX, como o comunismo de Eduardo, o tradicionalismo de Terêncio Prates, a religiosidade de Irmão Toríbio e às digressões filosóficas de Floriano Cambará, até então para mim um fantasma que vivia ora a se esgueirar pelos cantos da velha casa da família Cambará, ora em passeios pelas ruas de Santa Fé onde abre sua torrente de emoções reprimidas ao amigo Roque Bandeira -- o Tio Bicho -- e a seu primo, o irmão Toríbio.


  • Mas é na sua solidão que Floriano se encontra, a perder-se de amor por Silvia, objeto de sua mais terna lembrança. É ali tb que ele revive os rancores e decepções por seu pai, Rodrigo, desde que era menino.


  • Como que fantasmas que saem das sombras da água furtada para cobrarem o legado que o atormenta. 


  • Já Floriano, o romancista, ensaia o grande livro da sua vida, o raio X de sua própria família, abarcando desde os tempos do Continente, onde delineará o Retrato de várias gerações de Terra Cambará Quadros, esmiuçará cada ilha, nesse imenso Arquipélago que são seus irmãos, pais e parentes próximos.


  • Mas para mim o ponto alto do romance é a enigmática e calada Silvia, que se revela no diário que passa anos escrevendo, e onde leio as passagens mais lindas e marcantes da parte final dessa história. 


  • Silvia também ama Floriano, mas, o casamento com Jango a impede de viver o grande amor da sua vida...

  • E não tinha como não terminar esta belíssima história com o acerto de contas entre Floriano -- o filho -- e seu pai, Rodrigo, onde ambos põem à mesa uma toalha branca onde são despejados anos de ingratidões. Também narra o início do romance de Floriano, e a forma como Erico nos mostra as primeiras linhas não tem como não trazer a impressão de que o fim da história dos Cambaras e de Santa Fé, na verdade, é o seu começo, como uma espécie de Macondo tupiniquim, onde a vida corre em círculo... Enfim, recomendo vivamente esta estupenda trilogia, sem dúvida um dos livros essenciais da literatura mundial!

Livro 5°/Fev// 9°/2016 - O TEMPO E O VENTO 3 - O ARQUIPÉLAGO 2



Título: O Tempo e O Vento 3 - O Arquipélago vol. 2
Autor: Erico Veríssimo 
Editora: Cia das Letras
Páginas: 376
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ 


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Na conclusão da segunda e penúltima parte de O Arquipélago, me vem uma constatação: se Erico o chamasse de Retrato talvez seria o tomo cujo esse título mais estivesse apropriado.


Mas, essa minha pretensão é fugaz, passageira. Érico é um mestre, que se agiganta a cada parte dessa soberba história que é O Tempo e O Vento.


Mesmo não sendo Retrato o título, mas Arquipélago, eu poderia chamá-lo de O retrato esfacelado, a genuína parte de um imenso arquipélago, partículas distintas, perdidas em si mesmas. 


Floriano Cambará, embora seja descrito como de muita semelhança a Rodrigo, seu pai, nada tem deste Cambará, a cujos desejos e vontades parece ser servo. Em Floriano você vê o retrato do romancista barato, vagando em profundas e profusas idiossincrasias, perdido na vaguidão sem resposta de suas melancolias.


Em dado momento, Floriano tenciona deixar de ser ilha, para se tornar parte do continente, mais que retratado na figura do Sobrado. Acredito que ele terá seu grande momento, o ajuste de contas com seu maior algoz: seu próprio pai, talvez a mais desgarrada das ilhas. Logo Rodrigo, que sempre buscou a aprovação das muitas mulheres que teve, dos amigos tão leais em tempos de paz e também de guerra, foi se tornando uma ilha, ao afastar-se de sua esposa Flora e de seus filhos. Será tarde demais para ele recompor as pontes inexistentes nesse vasto arquipélago de rancores, silêncios e perdas?


Vamos ao último tomo...

Livro 3°/Fev// 7°/2016 - O TEMPO E O VENTO 3 - O ARQUIPÉLAGO 1



Título: O Tempo e O Vento 3 - O Arquipélago vol. 1
Autor: Erico Verissimo 
Editora: Cia das Letras
Páginas: 384
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️ 


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O Arquipélago, terceira e última parte da portentosa saga O Tempo e O Vento tem três volumes. Neste volume 1 uma nova geração de Cambarás nos é apresentada: os filhos de Rodrigo, agora adultos é que tomam as cenas do Sobrado.


Floriano, o filho mais velho, espécie de escritor em formação, vai traçando os perfis de sua família, do Sobrado e de Santa Fé. O faz misturando um lirismo construído pelos anos de solitárias leituras, introspecção e sentimentalismo arraigado em seu espírito.


Eduardo é o representante de uma corrente política e filosófica marxista que invadiu o Brasil como contraponto à Ditadura varguista. Já o Jango é o elemento ligado às tradições pastoris da família Terra Cambará.


Mas é a figura de Rodrigo, o mesmo que encerrou O Retrato, em torno do qual gira a história. Ora já velho, doente e prostrado numa cama no Sobrado em 1945, intercalado com capítulos que o apresentam ainda jovem, quando seu ardor o faz organizar uma revolução e pelear contra as eleições fajutas que mantiveram Borges de Medeiros no poder em 1922, o retrato de Rodrigo continua falando alto, suas impressões e anseios, bem como seus amores voláteis porém intensos...

Livro 2°/Fev// 6°/2016 - O TEMPO E O VENTO 2 - O RETRATO 2




Título: O Tempo e O Vento 2 - O Retrato vol. 2
Autor: Erico Verissimo 
Editora: Cia das Letras (2004)
Páginas: 368
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ 


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A conclusão do segundo tomo de O Retrato -- na minha opinião bem melhor que o primeiro -- temos um Rodrigo ainda mais contraditório e ainda mais instável. 


Passados 5 anos, vemos um Rodrigo já casado, pai de dois filhos, plenamente estabelecidos sua farmácia e seu pequeno hospital, ou seja, um homem realizado.
Mas se assim ele se visse, seria uma traição ao fervilhante sangue Cambará. Por isso mesmo Rodrigo se vê comportando-se segundo os ditames desse sangue, um retrato minucioso mas discrepante de um homem letrado, conhecedor das principais correntes ideológicas ora vigentes, mas que dá vazão à seus instintos, muitos deles irresponsáveis e inconsequentes.


Não sei se gosto ou não de Rodrigo: quando se pensa que ele finalmente usará sua influência e poder para ajudar os menos desafortunados, você o vê quebrando sem qualquer arrependimento, as convenções sociais, chegando ao ponto de, por causa de sua volúpia indecente, fazer uma moça de família ceifar a própria vida...


É neste tomo que outras ideias são livremente discutidas, como o eterno debate entre igreja e filosofia, nas figuras do Padre (existência de Deus) e do Coronel (Positivismo). São também introduzidas as ideias comunistas e alguns fatos que levaram Getulio Vargas ao poder. 


Mas é no final, que de fato você reconhece o retrato dos Terra Cambará, só Sobrado e de Santa Fé. As elucubrações de Floriano Cambará são um meticuloso retrato das gerações de uma família antes forte, influente, que aos poucos foi definhando, perdendo sua identidade. Talvez o único resquício de outrora se ache pendurado na sala do Sobrado: o retrato que Don Pepe García fez de Rodrigo, com seu olhar perdido no horizonte, imagem bem mais promissora que a realidade.

Livro 4°/Jan// 4°/2016 - O TEMPO E O VENTO 2 - O RETRATO 1


Título: O Tempo e O Vento 2 - O Retrato vol. 1
Autor: Erico Verissimo 
Editora: Cia das Letras (2004)
Páginas: 360
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️ 


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A continuidade à extensa história da formação do Rio Grande do Sul, concluo a primeira parte de O Retrato, livro cujo personagem que mais se sobressai é um dos dois filhos de Licurgo Cambará, Rodrigo Terra Cambará.


Rodrigo, a meu ver, não é um personagem fácil de definir. O Retrato é um livro de contrastes. Assim como o retrato de Rodrigo que não é fácil de interpretar, haja vista as profundas discrepâncias de caráter e personalidade que parecem definir suas ideias e ações. 


Explico.


Rodrigo apresenta uma personalidade bastante dúbia, com laivos de forte teor socialista, mas mesclada à ânsia por um estilo de vida extremamente burguês, pedante e perdulário. 


Ao mesmo tempo em que quer defender os pobres e oprimidos, age da mesma forma, mesmo sem pensar que está fazendo o mesmo que aqueles que ele combate, a exemplo do episódio em que aponta o revólver obrigando um negro a trabalhar para ele na sua recém adquirida tipografia. 


Ao mesmo tempo em que tem o visionário desejo de ver sua cidade, Santa Fé, transformada pelo progresso, o quer à custa de um megalomaníaco marketing pessoal. O seu desejo de ver as pessoas libertadas do poderio dos Trindade, o clã local, fica manchado quando você o vê usando do mesmo "poder" para possuir as serviçais filhas dos empregados de sua fazenda.


Este romance traz também através dos personagens profundas ideias positivistas, em voga à época, evidenciado nas leituras de Rodrigo e do coronel Jairo, bem como os principais acontecimentos políticos que marcaram os primeiros anos da chamada República Velha brasileira.

Livro 3°/Jan// 3°/2016 - O TEMPO E O VENTO 1 - O CONTINENTE 2



Título: O Tempo e O Vento 1 - O Continente vol. 2
Autor: Erico Verissimo 
Editora: Cia das Letras (2004)
Páginas: 440
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️ 


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O Continente vol. 2, que encerra a primeira parte da portentosa trilogia O Tempo e O Vento, embora seguimento do volume 1, muito mais que uma mera continuação (sem deixar de ser), tem características próprias e singulares. 


Vejamos:


Enquanto o volume 1 é marcado pelas constantes peregrinações dos Sete Povos das Missões, o volume 2 nos apresenta uma Santa Fé alicerçada e fecunda, com vida própria e pululante; enquanto o volume 1 seja, por assim dizer, o tomo de estreia e apresentação dos principais personagens da saga, a exemplo da Família Terra e o advento do capitão Rodrigo Cambará, o segundo tomo nos traz outros expoentes importantes, como o padre livre-pensador Atílio Romano (ri muito com o engajamento cômico desse clérigo!), o jornalista baiano Toríbio Rezende e o médico alemão Carl Winter.


Percebi também que no segundo volume as ideias abolicionistas e republicanas são apresentadas e exploradas, mostrando o profundo engajamento do romance de Erico à história, totalmente atento às transformações sociais e políticas então vigentes no Brasil. 
Vale ressaltar que, através da figura do Dr Winter, também o positivismo tão em voga na Europa, é trazido e fartamente debatido durante as regaladas refeições servidas no Sobrado. 


Não posso deixar também de mencionar a lenta mas expressiva liderança conquistada pela viúva do capitão Rodrigo, Bibiana Terra, que aos poucos vai retomando posse do Sobrado, outrora casa de seu pai, Pedro Terra, afanada pelo avô da esposa de Licurgo Cambará, Luzia.


Alternando os capítulos entre os acontecimentos políticos, sociais e pitorescos de Santa Fé, o volume dá continuidade ao cerco ao Sobrado, culminando com o debandar das tropas federalistas da cidade, e a morte silenciosa de Florêncio Terra. Já iniciada a leitura do 3° pilar da trilogia, O Retrato, espero continuar mergulhando nessas páginas magistralmente bem escritas!