Título: O Tempo e O Vento 3 - O Arquipélago vol. 3
Autor: Erico Veríssimo
Editora: Cia das Letras
Páginas: 488
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
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Acabo de concluir a leitura da terceira e última parte de O Arquipélago e final da saga O Tempo e O Vento, encerrando este maravilhoso projeto de leitura que me consumiu exatos 70 dias, iniciados em 2 de janeiro e terminado em 11 de março de 2016.
E que belo final Erico deu ao final desta história... Neste derradeiro volume, os costumeiros diálogos de discussão política continuam a se arraigar no Sobrado, tendo a figura de Getúlio Vargas e seu Estado Novo como centros de controvérsias e acalorados debates. Entremeiam-se as correntes políticas da primeira metade do século XX, como o comunismo de Eduardo, o tradicionalismo de Terêncio Prates, a religiosidade de Irmão Toríbio e às digressões filosóficas de Floriano Cambará, até então para mim um fantasma que vivia ora a se esgueirar pelos cantos da velha casa da família Cambará, ora em passeios pelas ruas de Santa Fé onde abre sua torrente de emoções reprimidas ao amigo Roque Bandeira -- o Tio Bicho -- e a seu primo, o irmão Toríbio.
Mas é na sua solidão que Floriano se encontra, a perder-se de amor por Silvia, objeto de sua mais terna lembrança. É ali tb que ele revive os rancores e decepções por seu pai, Rodrigo, desde que era menino.
Como que fantasmas que saem das sombras da água furtada para cobrarem o legado que o atormenta.
Já Floriano, o romancista, ensaia o grande livro da sua vida, o raio X de sua própria família, abarcando desde os tempos do Continente, onde delineará o Retrato de várias gerações de Terra Cambará Quadros, esmiuçará cada ilha, nesse imenso Arquipélago que são seus irmãos, pais e parentes próximos.
Mas para mim o ponto alto do romance é a enigmática e calada Silvia, que se revela no diário que passa anos escrevendo, e onde leio as passagens mais lindas e marcantes da parte final dessa história.
Silvia também ama Floriano, mas, o casamento com Jango a impede de viver o grande amor da sua vida...- E não tinha como não terminar esta belíssima história com o acerto de contas entre Floriano -- o filho -- e seu pai, Rodrigo, onde ambos põem à mesa uma toalha branca onde são despejados anos de ingratidões. Também narra o início do romance de Floriano, e a forma como Erico nos mostra as primeiras linhas não tem como não trazer a impressão de que o fim da história dos Cambaras e de Santa Fé, na verdade, é o seu começo, como uma espécie de Macondo tupiniquim, onde a vida corre em círculo... Enfim, recomendo vivamente esta estupenda trilogia, sem dúvida um dos livros essenciais da literatura mundial!

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